A Crônica da Voz Que Não Queria Companhia
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Era uma vez uma cantora que parecia ter sido agraciada por todas as musas da música. A voz dela era o tipo de coisa que se diz: "Ah, é natural, nasceu pronta." Amigos, familiares, maestros e até o entregador de pizza soltavam elogios. Era uma voz que fazia vibrar almas e tilintar copos, mesmo quando ela só dizia "obrigada". E claro, ela sabia disso. Sabia tanto que nem se dava ao trabalho de ir a todos os ensaios do coral que frequentava — "Dom é dom, e prática é coisa pra quem não tem um", dizia com o ar de quem revelava uma verdade universal. Nos ensaios, ela sempre brilhava. Afinal, as músicas eram conhecidas: inglês, português, algo fácil. Chegava no meio da segunda repetição e já estava em condições de corrigir o tenor desafinado. Isso funcionava até o dia em que o maestro, cheio de empolgação cultural, anunciou: "Teremos um projeto especial! Um coral da ilha de Java virá nos visitar e... cantaremos juntos!" Ela ouviu "Java" e já p...